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MARIANA CAPELETTI

Mariana Capeletti tem 32 anos e reside em Goiânia - Goiás, é bacharel em comunicação social pela PUC-GO, especialista em Cultura e Criação pelo Senac e em Processos, Gestão e Cultura Contemporânea pelo Madalena Centro de Estudos da Imagem/Unimes. Mestre e doutoranda em Arte e Cultura Visual pela Universidade Federal de Goiás, onde atuou como professora de fotografia até 2017, juntamente com as faculdades, PUC e Senac. Ganhou o concurso internacional de fotografia analógica experimental da Petrobrás em 2011 que resultou em uma exposição no MAM-RJ. Dedicou-se durante um longo período aos estudos de processos fotográficos do século XIX e a docência. Em 2016, retornou a produção fotográfica através de projetos autorais de temas da sua região, como por exemplo, trabalho fotográfico documental sobre a Guerrilha do Araguaia (premiado no 13º Paraty em Foco na categoria ensaio), o desastre radiológico do Césio 137 e a história de Santa Dica de Goiás.

APRESENTAÇÃO:
Sob o véu da guerrilha: vestígios da guerra na paisagem do Pará 

Entre 1970 e 1974, ocorreu na Região Norte do país a Guerrilha do Araguaia, um movimento que buscava combater a Ditadura Militar e semear a revolução a partir do campo. Tal movimento foi fortemente reprimido pelas Forças Armadas Brasileiras deixando aproximadamente 79 mortos/desaparecidos e apenas 20 sobreviventes.

Mas não foram apenas soldados militares e guerrilheiros revolucionários que sofreram os efeitos deste conflito. Durante a caçada aos guerrilheiros, as Forças Armadas adotaram a tática de utilizar-se da população local para desbravar o território onde se encontravam os guerrilheiros, submetendo moradores e camponeses da região à tortura, trabalho forçado não remunerado, destruição de suas residências, incêndio de suas lavouras, entre outras práticas humanamente abomináveis. Este que é um dos momentos mais representativos do período ditatorial brasileiro permaneceu em completa penumbra por mais de duas décadas, sendo acaçapado tanto pelas Forças Armadas quanto pelo Partido Comunista. Walter Benjamin diz que é preciso contar a história a partir dos oprimidos e perdedores, e é nesse viés que se pauta o ensaio fotográfico Sob o véu da Guerrilha que realizei em 2017 na região sudoeste do Pará. Será analisada parte das fotografias do ensaio, compostas por retratos, fotos em/de casas, paisagens e ruínas onde ocorreram as batalhas, lugares que não são retratados como um cenário de guerra, mas como um lugar de memória e resistência, onde estas pessoas lutaram para reconstruir suas vidas, profundamente afetadas pelas consequências da Guerrilha.

PORTFÓLIO

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Sobre o véu da Guerrilha

O Brasil sofreu em 1964 um golpe militar que resultaria em 20 anos de censura e ceifando as liberdades individuais e coletivas inerentes à Democracia.
Entre 1970 e 1974, ocorreu na Região Norte do país a Guerrilha do Araguaia, um movimento que buscava combater o Regime Militar e semear a revolução a partir do campo. Tal movimento foi fortemente reprimido pelas Forças Armadas Brasileiras deixando um total de aproximadamente 79 mortos/desaparecidos e apenas 20 sobreviventes.
Mas não foram apenas soldados militares e guerrilheiros revolucionários que sofreram os efeitos deste conflito.
Durante a caçada aos guerrilheiros, as Forças Armadas adotaram a tática de utilizar-se da população local para desbravar o território onde se encontravam os guerrilheiros, submetendo moradores e camponeses da região à tortura, trabalho forçado não remunerado, destruição de suas residências, incêndio de suas lavouras, entre outras práticas humanamente abomináveis.
Este que é um dos momentos mais representativos do período ditatorial brasileiro permaneceu em completa penumbra por mais de duas décadas, sendo acaçapado tanto pelas Forças Armadas quanto pelo Partido Comunista. Walter Benjamin diz que é preciso contar a história a partir dos oprimidos e perdedores, e é nesse viés que se pauta projeto Sobre o véu da Guerrilha. São fotografias que levam até os camponeses do Araguaia, que sofreram cruelmente as consequências da guerrilha. Dentre as diversas formas de refletir sobre memórias de sofrimento e lutar pela construção de uma memória que não transforme esse passado em um eufemismo, a fotografia aparece tanto como ferramenta para pensar sobre luto, memória e identidade.