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SUSANA DOBAL

Susana Dobal é fotógrafa e professora na Universidade de Brasília. Tem mestrado pelo programa conjunto do International Center of Photography e da New York University (ICP/NYU) e doutorado pelo Graduate Center/CUNY. Participou de mais de trinta exposições. Publicou artigos sobre fotografia, cinema e arte contemporânea e o livro Peter Greenaway and the Baroque: writing puzzles with images (2010). Junto com Osmar Gonçalves, organizou o livro Fotografia Contemporânea: fronteiras e transgressões (2013). Atua na pós graduação da UnB/FAC na linha de pesquisa Imagem, Estética e Cultura Contemporânea.

APRESENTAÇÃO:
Da Land Art ao acampamento Terra Livre: paisagens em trânsito 

A Land Art, surgida na década de 60, se baseava na arte realizada em interação com o ambiente e surgiu em contexto de oposição ao sistema de comercialização da arte, entre outras prerrogativas. Richard Long, um dos seus expoentes, realizou obras que eram linhas e círculos em meio à natureza como referência a caminhadas. Em 1999, o artista Vik Muniz faz uma série de recriações de paisagens clássicas da história da arte e incluiu obras de Robert Smithson, outro artista da Land Art que realizou obras com espirais e círculos em ambientes abertos. Em 2019, o fotógrafo Diego Bresani posta uma imagem no Instagram que faz referência explícita à Land Art e ao rastro do acampamento indígena Terra Livre recém-ocorrido na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Em princípio, apenas um círculo e um descampado em torno unem essas três paisagens. No meio, séculos de assimilação da noção de paisagem, que também inclui a Land Art, fazem com que ela possa ser reconhecida por obra de um acaso, que fala por obra de um fotógrafo. No meio ainda, há décadas de confronto da causa indígena com o Estado brasileiro. Ao fim, uma questão a ser explorada: qual a reaparição possível (e antropofágica) para a paisagem aprendida na história da arte e reencenada em solo brasileiro na sinistra era iniciada em 2019?

PORTFÓLIO

A caminho

Paisagens vistas na estrada entre Brasília e São Raimundo Nonato, no Piauí, pareciam sugestivas: além da natureza, um Brasil desfilava pela pista. Muitas e esparsas motocicletas levando gente, pacotes, botijões; caminhões escoando a produção, alguns poucos carros, pessoas a pé no meio do nada, gado disperso e a vegetação se transformando como se fosse uma veloz galeria de diferentes paisagistas cada qual com a sua visão particular de cenários ora mais selvagens ora inteiramente cultivados por extensas áreas da monocultura, principalmente da soja. São mostradas aqui algumas das imagens dessa série exposta no Foto Rio, em 2013. Algumas poucas palavras sobre essas paisagens em trânsito procuram mais um canal para registrar a surpresa, afinal, ver é também tecer associações e a paisagem é nada mais do que um conceito aprendido que permite inúmeras variações.

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